Proatividade

21/01/2013 07:40

Eu me lembro de uma situação quando eu comecei a minha carreira profissional, nos meados dos anos 90, e a minha primeira posição foi ao lado de um profissional com mais de 25 anos de casa. Ele tinha acabado de voltar de uma reunião com a gerência e me disse “- eles estão pedindo para a gente ser proativo. Isso chega a me dar calafrios!”. Naquele momento, eu não tinha a mínima ideia do que era ser proativo e por pura ignorância e por ter um grande respeito por meu colega de trabalho, eu passei a não gostar dessa palavra também.

Hoje, como GP, eu olho para trás e me lembro dessa conversa e fico tentando entender o porquê de ele ter me dito isto. É claro que há grandes diferenças contextuais entre alguém que começou a carreira no início dos anos 70 com alguém que estava começando no final dos anos 90. Ele provavelmente já estava fazendo os seus planos de aposentadoria e eu ainda nem sabia direito quando é que eu iria me aposentar, até porque o que mais aconteceu no final dos anos 90 foram mudanças nas regras da previdência. Mas enfim, eu tento entender porque alguém um dia achou que proatividade não era legal e até hoje eu não consegui ouvir uma argumentação coerente.

Proatividade é importante não somente em projetos, mas em todos os contextos da vida. É saber se antecipar, prever e agir em função de um resultado mais provável de ocorrer. A proatividade existe nos esportes também. Um dos movimentos mais lindos no futebol é quando um zagueiro se antecipa e corta uma jogada de ataque criando um contra-ataque, isso é proatividade pura. E o que ele precisou para fazer isso? Experiência? Habilidade? Com certeza ele precisou disso também, mas existem outros fatores extremamente importantes que lhe ajudaram a executar esse movimento milimetricamente calculado. Ele, em frações de segundo, se colocou na posição do atacante que estava com a bola e pensou, “- se eu fosse ele, o que eu faria?”, e a partir daí ele viu os mais variados cenários possíveis e escolheu um que lhe fosse o mais provável e se antecipou ao seu acontecimento.

Quantas vezes em projetos nós não devemos fazer isso? Se colocar na posição do outro e se antecipar aos seus movimentos? Devemos fazer isso antes de fazermos alguma apresentação, durante o gerenciamento de riscos, durante uma validação de escopo e etc. Ao se proativo o GP aumenta a taxa de sucesso de um projeto. E porque ainda vemos GPs não fazendo isso? Será que é porque é cansativo? Não, não é por causa disso. É porque ser proativo é um hábito e aí toda essa história muda de figura, porque em se tratando esse comportamento como hábito, nós devemos nos policiar para praticá-lo a tal ponto que não precisamos mais nos esforçar para fazê-lo, haja vista o trabalho que o célebre e saudoso Stephen R Covey nos presenteou no seu Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes o qual, não à toa, o hábito “Ser Proativo” é o primeiro.

Não seja um GP reativo, seja proativo! Um GP proativo terá uma vida mais fácil, saberá usar melhor o seu tempo e transmitirá mais segurança e confiabilidade. A proatividade é uma característica importantíssima para um GP e caso você não a tenha ainda, você deve começar a praticá-la, já!